Para eu me lembrar:

"Descobri como é bom chegar quando se tem paciência. E para se chegar, onde quer que seja, aprendi que não é preciso dominar a força, mas a razão. É preciso, antes de mais nada, querer."

Amyr Klink

Linfoma de Hodgkin

"Linfoma é um câncer do sangue, potencialmente curável, que ocorre nos linfócitos, células do sistema linfático, que fazem parte da defesa natural do corpo contra infecções."

Pensamentos

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sábado, 19 de janeiro de 2013

Exemplos

Eu tenho visto muitos exemplos de vida e coragem em pessoas tidas como frágeis.
Pessoas que lutam como gigantes mesmo tendo corpos pequenos e frágeis, com pouca ou muita idade, mas que galgam lugares incríveis em grandes batalhas.

Particularmente, eu não gosto do termo "guerreiros", mas pensando-se em batalhas e lutas, o termo é coerente. Todas as vezes em que ouço alguém usá-lo no contexto dos tratamentos oncológicos, entendo-o de outra forma, como uma necessidade, como uma manifestação do instinto de sobrevivência, de falta de opções. 

Nesses últimos dias, três dessas pessoas morreram. É, resolvi usar o verbo morrer, porque ficar 'tampando o Sol com a peneira' não nos leva a nada. A realidade é esta. Primeiro a prima da minha cunhada, Analu; depois Felipe, um menino de Maceió; e por fim, a inglesinha Alice Pyne, que ficou conhecida por seus atos solidários. 

É estranha a minha percepção atual frente à morte. Não sei se isso é um sinal de endurecimento, de distanciamento, de desapego, de desesperança ou de desânimo, mas não fiquei triste com suas mortes. Não tive a vontade de chorar que outrora me dominaria. Apesar do peso que esses acontecimentos têm, eles também significam a libertação dessas pessoas e dos seus. A libertação da grande prisão que a doença se tornou para elas. Às vezes eu me sinto presa pelo câncer, mas é bem raro, sempre foram fases muito breves em que tive minha liberdade tolhida pelos tratamentos, afinal, mesmo nas vezes em que fiquei internada, eu mesma tive de resolver várias coisas, principalmente burocráticas, em vários âmbitos. Sempre de pé, sempre no controle. Eu não sei o que é ficar totalmente à mercê de outros, sem conseguir nem mesmo me levantar de uma cama. 

Infelizmente, muitas pessoas não conseguem sequer expressar suas vontades, que dirá levantar-se de uma cama hospitalar, ou reivindicar direitos, negociar questões burocráticas e até mesmo sair do hospital carregando suas malas e dirigindo. Quando conto que no 1º transplante o carro ficava na garagem do flat, e que nos dias em que eu não tomava psicotrópicos eu dirigia até o comércio do bairro para que meus acompanhantes comprassem o que precisávamos, as pessoas ficam um tanto desconfiadas de que seja uma história de pescador. Mas é verdade, tenho várias testemunhas. E foi sempre assim comigo. Só tive duas internações em que não conseguia fazer nada, e que precisei pedir que meus familiares fossem me levar e buscar no hospital, nas demais eu estava em plenas condições. Teve uma em que eu saí do hospital sozinha, de táxi. Bizarro... real. Por que estou me gabando disso? Só para dizer que nem sempre o câncer é devastador e debilitante. É possível sim viver bem. Mas quando não se vive bem, a morte pode ser a saída mais digna. 

Dias atrás eu li algumas críticas de pessoas que tiveram câncer a respeito de uma obra de ficção exibida na TV em que a pessoa diagnosticada com câncer pediu para um amigo assassiná-la no auge de sua carreira artística, pois sabia que o seu tipo de câncer não tinha cura, que definharia e sofreria muito até morrer. Optou então por ser morta.

Assisti ainda no início da semana passada ao filme "Escolha de vida", que conta a história do final de vida da Dra. Anne Turner, médica inglesa que foi diagnosticada com paralisia supranuclear progressiva, uma doença degenerativa incurável e progressiva, que leva à morte lentamente, como um vegetal. Por causa desse prognóstico e da experiência que teve com a doença e morte de seu marido devido a uma outra doença também degenerativa, ela optou pelo suicídio assistido. Tal modalidade de morte não é aprovada na Inglaterra, então ela o fez na Suíça.

Questões delicadas e polêmicas, na maioria das vezes, evitadas e repudiadas pelos pacientes e seus familiares. Anos atrás eu também seria irredutivelmente contra, mas hoje já não penso dessa forma tão fechada. Não sou a favor do suicídio nem do homicídio, sou sempre a favor da vida. E como optar pela vida quando ela já não pode mais ser vivida? Como pedir que uma pessoa continue sofrendo, e não vivendo?
Eu 'vivo' pedindo às pessoas que não desistam, que busquem outras opções de tratamento, outras opiniões, que não se deixem abater pelos resultados de exames e interpretações de um único serviço médico, que mesmo com o pior prognóstico é possível encontrar uma saída, que apesar de tudo ser contra, se existir uma única chance, é a ela que devemos nos agarrar e lutar pela 'vida'. Em momento algum eu passo a mão na cabeça e choro junto a morte anunciada, a falta de esperança e muito menos o desespero. Como já escrevi, sou e estou sempre a favor da vida. Mas da vida que possa ser vivida, que dê alegrias, que tenha atividade, que tenha propósitos, e não da vida dolorosa, que inspire preocupação e desgaste a todos, que tire o sono, que cause angústia, que cause desespero e incerteza. É preciso saber viver, é preciso poder viver.

Também não posso deixar de observar que nem em todos os serviços médico-hospitalares se conta com equipes humanas, que proporcionem não só o melhor atendimento profissional, como o suporte emocional e acolhedor que tanto precisamos quando fragilizados, em perigo iminente. Como pedir a um paciente que além das dores físicas e incapacitantes, tem de receber cuidados não dignos nos hospitais mal utilizados do ponto de vista humano? Como pedir que tenham calma e coragem, se são mal tratados, se não têm todos os remédios que necessitam para sanar suas dores e infecções? Como pedir que uma pessoa sobreviva para continuar passando por tantas mazelas? Como dizer que ficar vivo nessas condições é melhor do que morrer?

Essas três mortes de que tive notícia na outra semana, foram de três pacientes com histórias completamente diferentes entre si. Uma mulher jovem com câncer de mama que teve um tratamento, segundo ela, equivocado, mutilante e que nos últimos tempos optou por ter qualidade de vida, e não mais tratamentos tão agressivos. Um menino do nordeste que foi fazer tratamento em São Paulo, teve recidiva, e agora, numa viagem de descanso do tratamento à sua terra natal, teve de ser internado às pressas, onde se constatou um avanço agressivo do tumor, que o levou à morte encefálica e por fim à morte clínica. E uma adolescente inglesa, que por vários anos lutou contra o Linfoma de Hodgkin, e há pelo menos dois anos não havia mais esperança de cura, mas a exemplo do filme "The Bucket List", fez a sua própria lista e com a ajuda de amigos, familiares e novos parceiros, colocou todos os seus desejos em prática, os quais foram de treinar sua nova cachorrinha para uma competição até a nadar com baleias no Canadá, o tempo todo perpassando pela conscientização das pessoas para se cadastrarem como doadoras de medula óssea e a angariar fundos para doar e beneficiar outros pacientes.

Muitas histórias, muitas questões importantes que na maior parte de nossa vida queremos evitar. E por que evitamos?

Por medo de nossas próprias respostas?
Por medo de pensar como será a nossa morte?
Por medo de sofrer?
Por medo de desejar a morte?
Por medo de nos sentirmos tentados ao suicídio?
Por medo de nos arriscarmos ao viver?
Por medo de nos frustrarmos?
Por medo de nós mesmos?

Medo... Essa palavra nos faz ficar parados no mesmo lugar. Só que o mundo está em movimento, o tempo está em movimento, então nossos corpos se movem mesmo com a nossa inação. E, se (não) vivemos por causa do medo, perdemos oportunidades preciosas, que jamais voltarão. 

Portanto, temos de ter coragem para VIVER A VIDA!

E para encerrar, FÉ NA VIDA!

domingo, 30 de setembro de 2012

FÉ NA VIDA MULTIPLICADA

Esta foi uma semana recheada de boas notícias:

Hoje eu soube que nasceu a filhinha da Larissa. Vi uma linda foto da nova família na maternidade. 

A Amanda também teve seu bebê no domingo passado, mas eu só soube no meio desta semana.

Sejam muito benvindos, Maria Rosa e Vitor!

A Grazi me enviou um sms contando que entrou em remissão depois de apenas 4 (quatro) aplicações do Brentuximab Vedotim (anti-CD30). 

O Pedro Tavares, de Portugal, foi liberado para voltar a jogar futebol no seu time. 

O Pedrinho, do Rio de Janeiro, entrou em remissão, e mesmo com a compatibilidade 100% do cordão umbilical de seu irmãozinho Arthur, que chegou em agosto, não precisará mais fazer o transplante. 

O Pedro Henrique, de São Paulo, meu amiguinho de quimio na clínica, encontrou um cordão umbilical compatível no exterior, e poderá fazer o seu transplante em breve.

Que legal! Três Pedros com excelentes novidades!

Três pacientes aqui do TCTH tiveram alta nos últimos dias. 

Eu fiz o transplante alogênico na terça-feira e estou bem. 

E hoje de manhã foi o grande concerto do coral que eu participo, tenho certeza de que o Auditório do MASP ficou recheado dos sons maravilhosos que excelentes compositores brasileiros deste século compuseram especialmente para nós. 

Enfim, foi uma semana recheada de boas notícias. Notícias de renovação da vida, de renovação de esperanças, de vida!

Parabéns a todos!

E como diz a Camila Pacheco, vamos CELEBRAR A VIDA!

Mais do que nunca, uma semana recheada de FÉ NA VIDA!

C@rin






quinta-feira, 19 de abril de 2012

ALERTA


A enfermidade é um conflito entre a personalidade e a alma.
O resfriado escorre quando o corpo não chora.
A dor de garganta entope quando não é possível comunicar as aflições.
O estômago arde quando as raivas não conseguem sair.
O diabetes invade quando a solidão dói.
O corpo engorda quando a insatisfação aperta.
A dor de cabeça deprime quando as duvidas aumentam.
O coração desiste quando o sentido da vida parece terminar.
A alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável.
As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas.
O peito aperta quando o orgulho escraviza.
A pressão sobe quando o medo aprisiona.
As neuroses paralisam quando a “criança interna” tiraniza.
A febre esquenta quando as defesas detonam as fronteiras da imunidade.
Os joelhos doem quando o orgulho não se dobra.
O câncer mata quando não se perdoa e/ou cansa de viver.
E as dores caladas? Como falam em nosso corpo?
A enfermidade não é má, ela avisa quando erramos a direção.


Fé na vida!

Obs.: Essa mensagem está afixada na entrada de um espaço terapêutico.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Ela pulsará sempre em muitos corações

Eu escrevi o texto abaixo assim que soube da morte de Elaine Cesar. Agora está fazendo um mês que ela partiu, e o meu pensamento pouco mudou. Jamais me acostumarei com essa barbárie vivida por essa mulher e seus filhos.

C@rin - 26/02/2012




São Paulo, 1º de fevereiro de 2012.


Triste, inconformada, desiludida, incrédula, revoltada, indignada, passada, cansada, chateada... são tantos sentimentos, que nem consigo descrever todos...

Acontecimentos como a morte da Elaine mexem comigo. Muitas vezes me calo, me revolto sozinha por não ter nada de mais útil e acolhedor para falar às pessoas próximas a quem se vai. De certa forma é uma negação da realidade sombria que nos visita nessas ocasiões, e perpassa todos os nossos tratamentos. 

Nesta terça-feira senti um grande sono e cansaço depois de ler a notícia, de checar, de revisitar o blog, de escrever algumas palavrinhas no Facebook, e me debulhar em lágrimas. Já senti algo semelhante outras vezes, mas essa doeu diferente.

O sentimento de impotência é enorme. A indignação com aquele que detém o título de pai do seu filho mais velho é imensurável. 

Confesso que não gosto de sentir essas coisas, mas tal crueldade me enoja. 

Rudá. 32 semanasQuando eu digo que relacionamentos/casamentos e principalmente filhos, são coisas muito sérias, algumas pessoas me julgam extremista ou até medrosa, mas essa história prova que sempre temos de ter consciência de tudo em nossas vidas, para vivê-las da melhor maneira, com muita paixão e também muita razão, precisamos equilibrar tudo.

O perfil da nossa amiga foi excluído do facebook, mas seu blog continua aberto. Mais do que isso, sua obra está e continuará viva, tanto em seus trabalhos artístico-culturais quanto nos seus filhinhos lindos. 

Quero muito que seu projeto do documentário sobre alienação parental, idealizado para denunciar as atrocidades vividas por ela e muitas outras famílias dilaceradas pelo egoísmo e maldade de quem antes fez juras de amor, e depois usa/usou seus próprios filhos para magoar e derrubar o antigo parceiro. Quero que a Justiça Brasileira julgue corretamente todos os fatos, denúncias e episódios que acabaram por roubar meses de uma fase que precisava ser de tranqüilidade e segurança na vida dessa mulher que conheci apenas pelas frias telas de computadores, mas que é real. Quero a cada nova vez que eu pisar no TeatroOficina, sentir a emoção do ano passado, por cantar naquele lugar sabendo de sua luta, sabendo que ali dentro, ela participou de inúmeras criações, de momentos incríveis, que seus filhos foram gerados naquela atmosfera criativa, artística e livre. Quero que Théo e Rudá tenham a mãe sempre viva em seus olhares, em seus sorrisos, em suas trajetórias. Quero que pelo menos o Brasil saiba quem foi essa moça batalhadora, que encontrou uma força inigualável para combater o linfoma e a inveja psicótica durante uma gravidez, e ainda trazer à Terra mais um menino calmo, saudável e sorridente, assim como reconquistar a guarda e a alegria de ter seu filho mais velho, de apenas 4 anos. 


Elaine venceu na vida. Só que o empenho foi tão grande, tão avassalador, que consumiu anos a que teria direito para acompanhar o crescimento de seus filhos, para produzir novas artes, para rir, saborear e vibrar em inúmeras outras aventuras. Agora, seu exemplo nos guia em busca de dias melhores, pois se uma moça bonita, em tão delicado momento, foi capaz de superar tantos obstáculos e ainda gerar um filho super saudável, sorrindo para a vida, encarando-a de frente, com garra inigualável, quem somos nós para reclamar ou esmorecer?



Elaine Cesar, eu te agradeço pela luta incansável, pela coragem, pela fibra que provou ter. 

Tal qual o título de seu último post no blog, Elaine: "Tempo. Silêncio."

Você continua viva em muitos e muitos corações. Parabéns!


Conheçam essa história no blog Câncer, gravidez e alienação parental . E vejam um trecho de um de seus últimos trabalhos, o documentário sobre José Celso Martinez Corrêa e o TeatrOficina: "EVOÉ! Retrato de um antropófago"





segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

DESEJO (Carlos Drummond de Andrade)

Carlos Drummond de Andrade

Desejo a você... 
Fruto do mato  
Cheiro de jardim 
Namoro no portão 
Domingo sem chuva 
Segunda sem mau humor 
Sábado com seu amor 
Filme do Carlitos 
Chope com amigos 
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos 
Filme antigo na TV 
Ter uma pessoa especial 
E que ela goste de você 
Música de Tom com letra de Chico 
Frango caipira em pensão do interior 
Ouvir uma palavra amável 
Ter uma surpresa agradável 
Ver a Banda passar 
Noite de lua Cheia 
Rever uma velha amizade 
Ter fé em Deus 
Não ter que ouvir a palavra não 
Nem nunca, nem jamais e adeus. 
Rir como criança 
Ouvir canto de passarinho 
Sarar de resfriado 
Escrever um poema de Amor 
Que nunca será rasgado 
Formar um par ideal 
Tomar banho de cachoeira 
Pegar um bronzeado legal 
Aprender uma nova canção 
Esperar alguém na estação 
Queijo com goiabada 
Pôr-do-Sol na roça 
Uma festa 
Um violão 
Uma seresta 
Recordar um amor antigo 
Ter um ombro sempre amigo 
Bater palmas de alegria 
Uma tarde amena 
Calçar um velho chinelo 
Sentar numa velha poltrona 
Tocar violão para alguém 
Ouvir a chuva no telhado 
Vinho branco 
Bolero de Ravel... 
E muito carinho meu.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Poema da gare de Astapovo


O velho Leon Tolstoi fugiu de casa aos oitenta anos 
E foi morrer na gare de Astapovo!
Com certeza sentou-se a um velho banco,
Um desses velhos bancos lustrosos pelo uso
Que existem em todas as estaçõezinhas pobres do mundo,
Contra uma parede nua...
Sentou-se... e sorriu amargamente
Pensando que
Em toda a sua vida
Apenas restava de seu a Glória,
Esse irrisório chocalho cheio de guizos e fitinhas
Coloridas
Nas mãos esclerosadas de um caduco!
E então a Morte,
Ao vê-lo sozinho àquela hora
Na estação deserta,
Julgou que ele estivesse ali à sua espera,
Quando apenas sentara para descansar um pouco!
A Morte chegou na sua antiga locomotiva
(Ela sempre chega pontualmente na hora incerta...)
Mas talvez não pensou em nada disso, o grande Velho,
E quem sabe se até não morreu feliz: ele fugiu...
Ele fugiu de casa...
Ele fugiu de casa aos oitenta anos de idade...
Não são todos os que realizam os velhos sonhos da infância!


Mario Quintana

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Lembranças de um grande amigo


Caro hóspede
Uma redação minha, no final de 2003, no último ano do ensino médio:
Humildemente dirijo-me a você com o intuito de solucionarmos nossos problemas. Do sofrimento que você me fez passar, eu ainda carrego mágoas. Não só as dores físicas, a submissão às cirurgias ou os olhares de pêsames. Como se não bastasse, você ainda ameaça levar minha vida.

Sinto-me triste ao ver que somente com sua aparição, pessoas se tornam atenciosas comigo ou me tratam diferentemente dos seus normais. Você me trouxe preocupação mas também trouxe a hipocrisia das pessoas que acham que já morri e que são gentis comigo só para me fazer sentir confortável para o meu triste e suposto fim.

Além disso, você ameaça acabar com minha harmoniosa vida que foi construída com perdas e sentimentos. Ousa ameaçar me tirar de meus amigos, que são aqueles que realmente valem a pena, estando onde estiverem, ou como minha “amiga-mãe” ou como o senhor simpático que sempre sorri e me deseja um bom dia perto da saída do meu condomínio.

Portanto, gostaria que aceitasse minha ordem de despejo e me deixasse com a única coisa boa que você, câncer, trouxe. A nova maneira de ver o mundo que você me proporcionou me ajudará a ser uma pessoa melhor e, quem sabe, ajudar aqueles que não precisaram sofrer de sua fúria, a entender essa maneira de ver a vida.


Gustavo Cavalcanti



Só me resta aceitar! Poesia que fiz para minha ex-namorada(ahhhh o amor faz você ser tão tosco)
Falsas ilusões não me deixam acreditar. Ainda lembro que no meio do nada em que estava, consegui a liberdade em te encontrar. Belas luzes azuis iluminam um sentimento perfeito no meio de tanta dúvida. Longe está, aquele que interrompe as luzes, e só me traz escuridão. Palavras falsas saem da minha boca. Palavras verdadeiras saem de meus olhos. Perco agora uma batalha que nunca poderia vencer. Luzes fogosas e ardentes querem sair, mas só me resta prender, pois só sairão se for para você, e você acaba de partir. Mais do que uma falsa ilusão, não consigo entender.... como algo nunca visto, chega e parte, levando consigo alegria.... e trazendo tristeza. No meio de um quarto escuro estou... não sei o que fazer... só sei o quê sentir... você!

Gustavo Cavalcanti


Por que postei isto?
Hoje, ao checar meus e-mails, sem querer deparei-me com uma pasta de mensagens recebidas de amigos, e não resisti, abri! Encontrei um e-mail enviado pelo Gustavo, sobre uma determinada situação vivida em conjunto por um grupo de amigos, lembrei-me do acontecido e principalmente da maneira linda como ele sempre foi AMIGO de quem se aproximava dele. Fui então à comunidade do orkut na qual mais interagíamos, e encontrei no "Momento literário" esses dois escritos dele, resolvi colocar aqui, para que mais pessoas leiam, recordem e saibam um pouquinho sobre ele. Não senti vontade de chorar, é estranho, acho que as lágrimas secaram, ou mandei uma ordem inconsciente para meu cérebro, e não me permito lembrar de coisas tristes e ausências, mas sim de coisas boas que vivemos juntos, bons momentos. Acho que não preciso explicar nada, é apenas saudade, carinho, amor e gratidão por ter conhecido essa linda criatura que passou pela vida semeando amor e paz, sofrendo ao mesmo tempo em que nos consolava, apoiava e incentivava. Por sua breve passagem em minha vida, posso afirmar que a marca que deixou em meu coração é muito benvinda, jamais esquecerei suas palavras doces (mesmo quando nos alfinetávamos, o fazíamos com muito carinho), mais do que isso, o olhar sincero e os poucos abraços cheios de emoção que pudemos dar no único dia que passamos juntos.

Guto!!! Carrego você comigo!
Pensamento e Coração
Eternamente

Carinzinha (com a voz de veludo voltando)

domingo, 20 de junho de 2010

A MELHOR FORMA

Titãs
Composição: Branco Mello/ Sérgio Britto/ Paulo Miklos



A melhor forma de esquecer
É dar tempo ao tempo
A melhor forma de curar o vício
É no início
A melhor forma de escolher
É provar o gosto
A melhor forma de chorar
É cobrindo o rosto
Evitar as rugas
É não olhar no espelho
Esvaziar o revólver
É puxar o gatilho
A melhor forma de esconder as lágrimas
É na escuridão
A melhor forma de enxergar no escuro
É com as mãos
As idéias estão no chão
Você tropeça e acha a solução
Acabar com a dor
É tomar um analgésico
Matar a saudade
É não olhar pra trás
A melhor forma de manter-se jovem
É esconder a idade
A melhor forma de fugir
É a toda velocidade
As idéias estão no chão



quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Festa de Fim de Ano




Há pessoas boas, legais, amigas, queridas, especiais, criativas, impermeáveis... e pessoas incríveis!

Minha (nossa) amiga Renata, além desses e de muitos outros adjetivos, é sensível!

Ela fez essa linda homenagem aos amigos conquistados nesses tempos difíceis que vivemos durante e depois de nossos tratamentos, no meio de um gigantesco turbilhão de medos, dores, choros, gritos, decepções, fantasmas e tantas outras sensações ruins, foi capaz de enxergar a beleza da vida em cada pessoa que conheceu e está conhecendo, para inspirar-se a escrever e criar essa linda festa de fim de ano tão animada nesse vídeo cheio de sorrisos e bons momentos de pessoas que convivem virtualmente tentando acalmar-se e encontrar novas respostas para seu dia-a-dia.

Esses pequenos grandes detalhes fazem com que não percamos a capacidade de sorrir - não apenas com os lábios, mas com os olhos, com a nossa essência.

Obrigada, Renata!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O amor pode dar certo


"O amor sempre dá certo, porque ele prevalece; é um sentimento puro e automático. Sobre todas as adversidades. Sobre todas as barreiras da vida. O problema é quando o mal decide agir. Não há como evitar. O tropeço da alma é a paixão e não o amor. O amor é puro, a paixão, ilusão. A ilusão é cega. Cegueira é uma doença do físico e da alma. Logo, a paixão não é pura. E não sendo pura, acaba se tornando imunda. Aliás, amor está profanado. A essência faleceu. Tudo passou a tomar a paixão como base, a vontade, a busca incessante pela matéria. Sofrimento, a densidade da alma. Prolífero, além da utopia; carente, como um gato-do-mato, recolhido em seu canto, com os olhos brilhando na imensa escuridão, temendo perante o medo de algo maior. Duas mil noites alastrando catarse aos maus ventos pelo mar furioso, degolado aos bocados pelo veneno. O sentimento mais puro vai a esmo. Sim! O amor vestal se extinguiu e o profano novamente ressurgiu."

João Prata Dias





Meu amigo inspirou-se no título do filme que assisti essa noite e escreveu as linhas acima durante uma conversa virtual de boa noite.

O filme é interessante, eis sua resenha:

Ao descobrir que está com câncer em estágio terminal, Henry Griffin (Dermot Mulroney) decide viver intensamente o resto de sua vida. Inutilmente, tenta uma reaproximação com a mulher e os filhos, mas acaba largando tudo para viver num vilarejo distante. Quando assiste a uma aula sobre a morte numa universidade, Griffin conhece Sarah Phoenix (Amanda Peet). O encontro afeta profundamente seus dias remanescentes.

domingo, 22 de novembro de 2009

Amar

Ouvi agora a pouco um pensamento interessante sobre amar, não serei fiel, mas a idéia é esta:


Quando amamos somos ricos.
Quando queremos ser amados, ainda estamos na infância.
Portanto, amemos!

A vida é tão preciosa, tão rara... Mas só nos damos conta, na maioria das vezes, quando já não conseguimos mais vivê-la plenamente, quando ela nos escorre entre os dedos das mãos ou quando ela se extingue por completo...

Estive confusa, muito mais confusa do que o habitual (risos). Falei diferente, agi diferente, pensei diferente... e percebi que não posso negar a mim, não posso de repente tornar-me algo estereotipado por outras pessoas, não posso mudar por fora sem que isso seja o reflexo de meu interior. Para muitas pessoas o exterior tem muito valor, mas a essência de cada um é o maior tesouro que se possui.

Continuo buscando me conhecer cada dia mais, porém, sem negar minha essência, sem negar a personalidade que construí ao longo da minha vida inteira. Cada momento, cada experiência é muito importante, não pode ser ignorado, é preciso que tudo seja realmente valorizado com justiça, sem aumentar nem diminuir seu tamanho.


Errar é humano, e persistir no erro é burrice!

Quando erramos, precisamos ter a dignidade de reconhecer o erro, e se possível repará-lo. Justificá-lo não o tornará menor, nem tampouco o fará desaparecer. O problema é que poucas vezes conseguimos apagar as marcas deixadas, mas não é impossível. Isso dependerá da nossa consciência e da nossa maneira de viver depois do erro, tendo-o como um peso ou como um exemplo a evitar.


É errando que se aprende!

Essas frases feitas, que muitas vezes nos irritam, têm suas verdades. A sabedoria popular é simples, "manjada" e embora pouco refletida, nos traz ensinamentos ímpares. Acho que vou pegar meus velhos trabalhos de foclore e reler todas as frases, a fim de aprender um pouco com essa simplicidade.

Sempre buscamos tudo fora de nós, nas coisas, nos livros, nas outras pessoas, mas a verdadeira felicidade está guardada no nosso interior. Nosso objetivo de vida deve ser simplesmente: amar!




terça-feira, 17 de novembro de 2009

"Há três coisas que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida."

Provérbio Chinês